Vida Acadêmica

Metodologia de pesquisa científica: domine de uma vez esse processo

Escrito por: Estéfane Padilha

A entrada na faculdade exige maior rigor na hora de fazer um estudo. O motivo? A demanda por produções científicas. Mas calma! Isso não significa que a cada trabalho acadêmico será necessário contribuir com a descoberta de algo novo no campo teórico ou prático.

O fator inovador para quem inicia na vida acadêmica é que os métodos para a construção dos projetos seguem um modelo homogêneo de rigor na apuração, na veracidade e no uso de uma linguagem imparcial, seguindo uma metodologia de pesquisa.

É assim do primeiro período do Ensino Superior até o término, com o temido (mas sem muitos segredos, como você pode ver aqui) Trabalho de Conclusão de Curso (TCC).

E isso se estende, claro, às dissertações, teses e serve até para a aplicação em projetos quando já se caminha para a carreira de trabalho – a iniciação científica é um ótimo meio de enriquecer o currículo e promover contato com profissionais da área em que se quer atuar.

Metodologia de pesquisa: aprenda desde cedo

É importante desde o começo aprender sobre as melhores técnicas de metodologia de pesquisa que, apesar do nome, não possuem complicações.

Ao contrário: só facilitam no momento de se planejar para começar a escrever um texto ou mesmo fazer uma apresentação em sala de aula ou em um auditório lotado.

E então? Pronto para desvendar os melhores caminhos para se organizar e fazer uso consciente e proveitoso dos recursos que a metodologia científica oferecem? Nós simplificamos todo este processo agora!

Sem dúvidas

Primeiro é preciso entender: a metodologia de pesquisa engloba as iniciativas que vão da pré-produção até a apresentação dos resultados encontrados. Isso nada mais é do que um cronograma detalhado do que será buscado.  

Assim, o pesquisador pode otimizar tempo, recursos e atingir as melhores e mais eficientes conclusões que se esperam de uma investigação científica.

Por onde começar?

O início da organização é bem sistemático: todas as etapas que serão utilizadas devem ser esclarecidas – em ordem cronológica. Do período necessário e dos possíveis gastos, da fase teórica de pesquisa bibliográfica aos estudos de caso e pesquisas de campo.

Alguns aspectos devem ser definidos na hora de planejar a metodologia mais adequada e é possível esclarecer se fazendo cinco perguntas essenciais sobre o desenvolvimento e o decorrer do trabalho:

Qual o propósito da sua pesquisa?

Será realizado um estudo exploratório, com a finalidade de descobrir algo sobre o qual ainda não há muitas informações? Ou é um estudo descritivo, que irá chegar a conclusões com capacidade de serem quantificadas de forma direta?

Há ainda os estudos explicativos, que pretendem desvendar os porquês de fenômenos que já ocorreram e/ou ocorrem. Este último é bastante comum na área de ciências biológicas, em decorrência de fenômenos da natureza, por exemplo.

Mas atenção: um estilo não precisa anular os demais e eles podem ser empregados em conjunto para a obtenção de materiais ainda mais completos. Só é preciso estar atento ao objetivo final, para se traçar desde o começo a melhor metodologia a ser empregada.

Atente também para a ruptura de possíveis ideias fixas e preconceitos sobre o tema escolhido. É essencial saber aonde se quer chegar, mas de forma eficiente e sem esperar por um resultado já preestabelecido e, assim, não influenciar na opinião dos envolvidos com o projeto.

Cenário da pesquisa

O ambiente de trabalho deve estar bem delimitado e claro para o pesquisador e para aqueles que serão contemplados com a apresentação final. Desse modo, evita-se eventuais mudanças repentinas na cronologia planejada.

Os melhores métodos

Avalie se o que melhor se encaixa com sua pesquisa: realização de entrevistas e registro em áudio ou vídeo, distribuição de formulários ou análises bibliográficas e de documentos.

Nas pesquisas de campo, muito utilizadas por sociólogos, antropólogos e cientistas políticos, o ambiente (instituições) é fator importante para a análise, em conjunto com todos os agentes humanos – enquanto indivíduos ou grupos. E não se pode contar apenas com a fundamentação teórica prévia e dados.  

Abordagens

Agora que já se sabe o tipo de pesquisa a ser feito, a importância dele em momentos e ambientes especificados, e alguns dos métodos a serem aplicados, a interação com participantes torna-se mais fácil de ser definida: quantitativa ou qualitativa?

Quantitativa

Quando a pesquisa precisa de dados concretos em sentido numérico, use abordagens quantitativas, nas quais será preciso determinar um nicho onde a investigação será feita e delimitar os participantes de modo que as estatísticas não fujam da realidade.

Nesse método, são exigidas perguntas fechadas, diretas, para que se possa obter respostas homogêneas.

Os resultados quantitativos poderão facilmente ser apresentados em tabelas e divididos de acordo com os aspectos mais relevantes do estudo científico, como idade, sexo, classe econômica e status profissional.

Qualitativas

Esse tipo de abordagem fará uso de ferramentas mais subjetivas, pois os aspectos que se observam não podem ser mensurados numericamente.

Como há liberdade para se fazer perguntas não tão diretas, é preciso cuidado na hora de se apresentar os resultados, pois a interpretação deve ser o mais precisa possível. O auxílio de um especialista é sempre melhor, seja um docente ou um pesquisador do grupo de estudos.

Este tipo de método é comum para avaliar o desenvolvimento de algo ou de um grupo, os motivos que levam pessoas a optarem por algumas ações e pensamentos e quais são as expectativas dos entrevistados para o futuro.

Um exemplo mais claro se dá em projetos feitos na área de esportes, quando, às vezes, é preciso analisar na prática o desempenho físico em alguma atividade individual ou a interação em atividades em conjunto, e não se busca simplesmente uma avaliação de opinião.  

Mais uma vez, há a possibilidade de se fazer uso destas duas ferramentas da metodologia em conjunto. Em muitas situações, dinâmicas de características qualitativa necessitam de formulários e entrevistas quantitativas. Quando há essa mescla, a abordagem recebe o nome de quali-quanti.

Tudo pronto?

Por fim, com todos os dados coletados, se chega à parte de análise e interpretação, para que se possa mostrar ao público as conclusões obtidas da maneira mais clara possível.

Além de relatórios escritos, seguindo as regras da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), algumas plataformas digitais facilitam a organização e deixam as apresentações mais interativas e interessantes. Os segredos destas ferramentas podem ser vistos aqui.

Tipos de trabalho para aplicar a metodologia de pesquisa científica

Listamos os principais tipos de trabalho para colocar em prática a metodologia da pesquisa científica e poder saber se você entendeu como funcionam as regras. Vamos conferir?!

Artigos

Existem diversos tipo de artigos. É importante lembrar que nem todo artigo científico é o mesmo que artigo acadêmico. O primeiro faz parte do segundo, mas um fica restrito ao ambiente de ensino e o outro pode alcançar um público  mais amplo, como pesquisadores profissionais participantes de um congresso, por exemplo.

E, como já se foi explicado no começo deste post, apesar de haver uma ideia de que é necessária a criação de conhecimento inovativo, muitos projetos estão focados apenas em renovar ideias já existentes, de acordo com um novo panorama surgido.

Os artigos podem, portanto, revisar estudos para comprová-los, complementá-os ou mesmo desacreditá-los. Neste caso, a metodologia será a mesma que o primeiro autor usou no projeto original. Se os resultados forem diferentes, estará comprovado que a validez de uma teoria não é mais correta ou totalmente completa.

Artigos originais

Essa modalidade visa desvendar um assunto novo ou pouco conhecido. Utilizam metodologias diferenciadas e são únicos no meio científico. Por conta desse ineditismo, são pesquisas que levam mais tempos para serem concluídas.

Esses materiais também têm grande valor científico, sobretudo, para quem consegue registrar  patente de uma nova descoberta, por exemplo. É o caso de trabalhos na área da saúde, onde pode se chegar a novas terapias ou métodos para tratamentos de doenças.

Monografias

O modelo de projeto mais conhecido quando se associa metodologia de pesquisa e produção científica, claro, é o das monografias, feitas para o encerramento de uma graduação, especialização ou MBA.

A definição deste tipo de trabalho é de uma pesquisa que reflita sobre um tema ou problemática já existente. Nesta etapa, assim como em um artigo, costuma-se discutir um assunto específico a fim de interpretá-lo melhor ou acrescentar novas perspectivas ao debate.

Quem segue por mais tempo na vida acadêmica, se depara novamente com uma importante produção científica: a dissertação de mestrado. A diferença para o caso do TCC, além do tamanho, é que há um método experimental, não necessariamente criando uma nova teoria e uma nova descoberta, mas um modo mais opinativo e pessoal que na monografia.

Já para quem pensa em ir mais adiante e seguir um doutorado, a tese é o trabalho que exigirá uma contribuição inovadora sobre o assunto levantado em durante pelo menos quatro anos de buscas.

O que não se altera

Porém, seja qual for a etapa escolhida por um estudante, todas possuem algo em comum: a metodologia de pesquisa científica terá sempre os mesmos recursos e será sempre o meio para alcançar os melhores resultados.

E então? Agora que o caminho para planejar seus projetos na vida acadêmica está mais claro, você pode também baixar um manual completo de como escrever artigos científicos e colocar tudo em prática. Sucesso!

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Estéfane Padilha

Estéfane Padilha

Jornalista e colaboradora do Doity Team. Mora em Colônia, na Alemanha, onde estuda, trabalha e é voluntária no FC Köln, clube de futebol da cidade

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