Vida Acadêmica

Artigo científico: guia completo para escrever e publicar os melhores

Escrito por: Estéfane Padilha

Um artigo científico não é exclusividade de quem já está com a vida acadêmica avançada. Mesmo no começo, já é possível iniciar na área deste tipo de publicação, que é enriquecedor para o currículo de quem quer seguir no ambiente universitário e produzir conhecimento.

Diferente de alguns tipos de trabalhos, tal modelo exige muita clareza na hora de embasamentos teóricos e precisa defender uma nova teoria sobre algum assunto.

Portanto, há algumas regras técnicas a serem seguidas para que os projetos sejam aceitos e entrem para os anais de eventos ou sejam publicados em meios de comunicação.

E pode parecer algo muito trabalhoso e profissional, mas o fato é que o desejo por ter uma pesquisa com certificado de excelência acadêmica tem se tornado cada vez maior. Então é melhor aprender logo todos os segredos! Preparado?

Afinal, o que é um artigo científico?

É até curioso pensar que por mais que você se esforce para fazer uma descoberta e siga todas as regras estruturais, o seu trabalho não terá valor imediato, assim que estiver finalizado, mas só quando cientistas da área o julgarem e autorizarem a publicação em periódicos ou a exposição em congressos.

A definição de artigo científico nada mais é que um projeto submetido à validação feita por outros cientistas da área em que se trabalha. O que foi encontrado não precisa ser extenso. Muitas vezes, os relatórios não passam de 20 páginas.

O importante é a apresentação de novas informações e esclarecimento detalhado sobre os meios que o fizeram chegar a tal descoberta, assim outros podem refazer sua pesquisa e verificá-la. Depois disso, ela poderá servir de base para outros estudos.

Qual a finalidade?

Diferente de outros trabalhos acadêmicos, a principal função do artigo científico é apresentar uma descoberta sobre um tema. A existência de uma linha de pensamento pode existir, mas é essencial que novos novos conhecimentos sejam acrescentados a ela.

Por isso é tão importante fazer longas pesquisas prévias sobre o assunto e ter referências extensas e de qualidade, para garantir que não há nada sobre o que se está propondo.

Além disso, o estudo ficará disponível para que outros cientistas façam uso das suas conclusões e aprimorem sempre os aprendizados, podendo questionar o que foi proposto. O que algum teórico descobriu há 20 anos pode ser contestado no presente.

Depois de mais algumas décadas, novas condições podem apresentar melhorias e inovações. O objetivo do artigo científico é, portanto, permitir que a comunidade acadêmica esteja sempre atualizada.

Outro fator importante é que quando se fala de ciência, uma teoria tem que ser provada. Se você não investir, outro teórico pode por o projeto em prática e levar os créditos. Então, se arrisque! Com certeza a sua ideia é interessante para um público específico e pode servir como base para futuro pesquisadores!

Por que a produção científica é essencial na vida acadêmica?

Ter um currículo impecável é o que todos querem quando começam o Ensino Superior. O objetivo é chegar ao mercado de trabalho com bagagem. Enriquecer esse documento com certificados de congressos e estágios é válido.

Mas os artigos científicos publicados têm um peso pelas descobertas que trazem. Eles mostram a dedicação de quem pesquisa.

E tem união melhor entre os estudos e a criação de novos conhecimentos? Fazer artigos é mostrar disciplina como estudante, mas também se mostrar como um profissional proativo, com experiências teóricas e práticas.

Quais os principais tipos de artigos científicos?

Apesar de um artigo científico provar uma descoberta, ele não precisa partir do zero. Primeiro porque há um embasamento teórico forte e é impossível começar um estudo sem qualquer referência. Mas há dois modos de buscar novos conhecimentos: através dos artigos de revisão e dos artigos originais.

1 – Artigo de revisão

Este modelo é executado quando se refaz um trabalho de outros autores com o objetivo de aprimorá-lo e se acrescentar novidades às conclusões iniciais. Neste caso, já existe uma base sobre como proceder com a pesquisa de acordo com o que os pioneiros fizeram anteriormente. A partir de então, há diferentes formas de fazer a análise do modelo original:

  • Revisão integrativa: é feita com base em textos prévios, que analisam algo mais teórico, mas sua função é explicar como determinado conhecimento pode ser colocado em prática;
  • Revisão narrativa: o pesquisador fica ainda mais livre para escolher as referências que quer citar, já que se pretende apenas fomentar uma discussão a respeito do que se estuda, sem resultados quantitativos.
  • Revisão sistemática: aqui se exige maior rigor metodológico, pois o objetivo é juntar descobertas anteriores e criar um banco de dados para o leitor.

2 – Artigo original

A principal característica aqui é acrescentar a um tema geral uma perspectiva que antes ainda não havia sido abordada. Daí podem sair grandes descobertas, mas também é preciso cuidado, pois a novidade precisa ser testada e comprovada por outros intelectuais.

Quanto ao modo de escrever, a maioria segue a linguagem própria para a academia, mas há também a opção de utilizar uma linguagem mais jornalística, principalmente quando se tem o objetivo de publicação em revistas, pois como não haverá a mediação do pesquisador para explicar possíveis dúvidas, é imprescindível que o texto dialogue com o leitor sem problemas no entendimento da mensagem.

Qual a estrutura de um artigo científico?

Todo artigo científico precisa atender exigências estruturais e seguir o formato com: introdução, material e métodos, resultados, discussão, conclusões e referências bibliográficas. Claro que antes é preciso um título que chame atenção  para o tema escolhido.

Às vezes, é possível inverter a ordem de alguns itens – e é também muito comum que os primeiros tópicos sejam melhores desenvolvidos quando o trabalho já está todo pronto. Nós explicamos o porquê disso e como desenvolver melhor cada item.

O começo

1 – Resumo

Você precisará sintetizar em 250 palavras tudo o que foi feito e a quais conclusões se chegou. É como um texto completo para quem tem pressa em ler rapidamente o que será apresentado em seguida com todos os detalhes aprofundados.

O resumo pode ser feito na forma descritiva ou informativa. Se os resultados forem comprovados, o texto será informativo. O modo descritivo serve para estudos que revisaram outros já realizados anteriormente.

2 – Abstract

Na maioria dos casos, é exigido pelo menos que o resumo seja traduzido para o inglês. Há ocasiões que se escreve também em espanhol, por exemplo.

3 – Introdução

Este é outro item inicial, mas que deve ser feito por último: o ideal é que a introdução seja escrita após todo o trabalho estar finalizado. Isso porque será preciso citar de forma curta como pesquisas anteriores foram feitas e o que o novo artigo científico traz de inovador.

Assim, o estudo precisa estar completo para que o autor saiba com precisão o que os resultados apresentados acrescentam para a formação de conhecimento e repasse essas informações da melhor maneira possível para quem irá ler.

A estrutura a ser desenvolvida aqui é: antecedentes do problema, descrição do fato a ser investigado, referências sobre projetos anteriores que abordaram o tema, originalidade e aplicação para a comunidade acadêmica, e objetivo.

Mãos à obra

Chegando a um momento mais prático, no tópico de material e métodos será preciso citar como a metodologia científica foi desenvolvida. Diferente do resto do trabalho, aqui será escrito geralmente no tempo passado.

O que se usou para a coleta de dados? Qual o público que foi entrevistado? Onde e em qual contexto? Essas perguntas são alguns dos exemplos do que deve ser esclarecido.

Neste post aqui, você desvenda a melhor maneira de como fazer esta parte tão importante de uma pesquisa.

O que fazer com os resultados?

Os resultados obtidos durante o processo de investigação devem ser descritos com suas estatísticas e todos os tipos de análisesquantitativas ou qualitativas. Mas há um detalhe importante: as imagens devem ser inseridas apenas no final do trabalho, se forem realmente relevantes e não puderem ser explicadas em forma de texto.

No caso de um estudo sobre determinado movimento de arte visual, por exemplo, se faz necessário o uso de ilustrações. Já casos com dados numéricos, é possível e aconselhável se deixar de lado os gráficos ilustrativos e fazer uso da explicação verbal.

Após as conclusões, a discussão é o momento de mostrar os principais resultados e fazer comparações com trabalhos de  outros estudiosos. Desse jeito é que se apresenta o que de novo está sendo oferecido para o meio acadêmico.

É preciso mostrar o que é concreto, de forma confiável, sem deixar de lado a transparência na hora de falar sobre as limitações encontradas para o desenvolvimento do projeto e outras possíveis descobertas. Assim, fica aberto o caminho para que outras pesquisas continuem a estudar o tema.

E cabe ao autor justamente direcionar sugestões para que os leitores possam ir ainda mais longe. O objetivo do artigo científico, afinal, é sempre gerar conhecimento e impulsionar novos artigos.

A importância de um final claro e direto

Para a conclusão, pode-se deixar de lado a linguagem mais imparcial. É hora de defender a solução encontrada para os levantamentos feitos durante a fase de discussão. Você deve  dialogar e argumentar claramente para que o leitor acredite que o artigo científico chegou ao melhor caminho e resolveu o que foi proposto.

Não pode haver espaço para dúvidas neste encerramento, mas também é necessário entender que as conclusões são momentâneas, de acordo com o contexto estudado. Com o tempo, podem surgir novas descobertas.

Regra para as citações

Os autores utilizados como base de conhecimento podem aparecer nas referências bibliográficas de acordo com a ordem alfabética dos nomes ou na sequência em que foram citados ao longo do texto. Seja qual for a maneira adotada, ela precisa seguir o padrão determinado pela ABNT.

Como escrever artigos científicos incríveis?

Além do passo a passo estrutural, é possível utilizar uma linguagem clara e de fácil compreensão para quem vai analisar ou apenas ler o artigo científico. A técnica para ser preciso e direto tem alguns segredos:

  • Escrever na ordem sujeito + verbo + predicado torna o entendimento mais fácil. Frases curtas também tendem a ser mais claras.
  • Excesso de adjetivos e advérbios podem trazer problemas. Evite-os.
  • Palavras e expressões redundantes tornam o texto cansativo e clichê.

Além dessas técnicas, as citações são grandes aliadas para os artigos científicos: textos que não se baseiam pensadores anteriores deixam a impressão de que foram plagiados. A originalidade que é exigida não precisa necessariamente estar desvinculada de conhecimentos de terceiros.

Para entender um pouco mais sobre o que é preciso estar no seu artigo, os critérios que as bancas avaliadoras adoram para um congresso ou uma publicação em periódicos podem ser conferidas neste texto.

Onde encontrar referências bibliográficas?

As universidades possuem acervos de teóricos ricos para qualquer trabalho. E para quem prefere os livros físicos, não vai haver lugar melhor. Mas a internet também fornece novas ferramentas que são muito úteis e práticas para os estudantes de qualquer área de conhecimento.

Claro que não se deve confiar em qualquer site na hora das pesquisas. E o melhor meio para se chegar a fontes confiáveis é bem prático: o Google Acadêmico.

Por lá, muitas publicações já aprovadas servem de exemplos e podem ser utilizados sem medo. Ficou curioso? A gente também já desvendou tudo sobre essa ferramenta aqui!

Seguindo o mesmo conceito do Google, o Scopus pode acrescentar novos trabalhos que servem para as pesquisas prévias. Milhares de publicações acadêmicas, como monografias, teses e dissertações, além de outros artigos e, claro, livros digitalizados – para o caso de o acervo da biblioteca estar incompleto – estão disponíveis.

E a lista não para por aí. Se você quer garantir o seu acervo de referências, basta conferir onde estão os principais sites para encontrar outros artigos.

Como publicar artigos em eventos científicos

Há algumas maneiras de submeter o seu artigo, mas seja em eventos, revistas ou periódicos, as etapas serão parecidas e você terá que seguir alguns critérios. Alguns deles são bem claros, como linguagem direta, referências bem citadas e originalidade para não duvidarem de plágio. Mas alguns outros fatores são menos diretos, porém tão importantes quanto os primeiros.

#DicaDoity – Além de escrever um artigo científico completo, é preciso entender como funciona o processo de submissão de trabalhos nos eventos acadêmicos. Assim, você fica por dentro de tudo e entende que caminho seu artigo percorre até ser avaliado. Confere aqui!

Qual o melhor meio?

Verifique a relevância do seu projeto. Há diversas revistas, por exemplo, mas nem todas irão aceitar sua proposta. E antes de evitar desgaste para submeter e para os avaliadores, se certifique em quais meios há maiores chances não só de aceitação, mas de adequação.

Ter um estilo parecido com o da publicação que veiculará seu artigo e com o público leitor é essencial na hora de apresentar as informações e aumenta as chances de aprovação.

Trabalhando em equipe

Em alguns eventos, os alunos têm liberdade para assinar seus projetos de forma individual, mas a maioria das revistas exigem que mestrandos e, claro, aqueles que estão em fase de iniciação científica, submetam seus artigos em parceria com um orientador, que tem mais experiência e pode até facilitar a sua vida na hora de buscar um periódico.

E você não precisa fazer tudo sozinho! Grupos de até cinco pessoas podem participar de publicações também. Basta se informar quais as regras específicas dos simpósios ou dos periódicos.

Neste último caso, o Qualis é a melhor ferramenta para achar o meio certo, que segue as normas da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Para saber mais, você pode conferir aqui.

Agora não devem ter restado dúvidas sobre como fazer um artigo científico e vê-lo aprovado em eventos e publicações, certo? Então desejamos boa sorte nas pesquisas e na produção de conhecimento útil! E para caprichar ainda mais, você pode baixar gratuitamente este material com dicas incríveis na hora de escrever!

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Estéfane Padilha

Estéfane Padilha

Jornalista e colaboradora do Doity Team. Mora em Colônia, na Alemanha, onde estuda, trabalha e é voluntária no FC Köln, clube de futebol da cidade

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